01/10/2018 às 13h16min - Atualizada em 01/10/2018 às 13h16min

Empreendedorismo dos pequenos comerciantes de Itatiaia é responsável por 30% da geração de empregos no Município

Luciana da Silva Dias trabalha no setor de Turismo e frequenta a sala desde o início do negócio. Foto: Bruno Barreto / PMI
A arte de empreender vai muito além dos livros ou dos manuais. E os microempreendedores do Município de Itatiaia sabem muito bem disso. Segundo o último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado na região, em 2016, o salário médio dos trabalhadores formais itatiaienses é de menos de três salários mínimos, cerca de R$ 2.5 mil mensais.

Os desafios não são pequenos, e de lá para cá, algumas parcerias importantes têm dado entusiasmo aos investidores no mercado regional, como as estabelecidas com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e com a Agência Estadual de Fomento (AgeRio). Ambas oferecem orientação e suporte para quem tem o sonho de iniciar o próprio negócio, ou ainda para aqueles que desejam aprender mais sobre modelos de gestão.

Um levantamento feito pala Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, revelou que atualmente Itatiaia possui cerca de 1.500 microempreendedores, entre eles, está a forte vocação para os setores de turismo, comércio local, agroeconomia sustentável e serviços. O estudo ainda mostra que 30% da geração de empregos no Município provêm do trabalho direto dos pequenos comércios locais.

No próximo dia 5 de outubro é celebrando o Dia da Micro e Pequena Empresa e os preparativos na cidade para a comemoração da data é mais uma forma de aquecer a economia, principalmente com a chegada de turistas, em busca dos pólos gastronômicos e serviços de hotelaria, além dos festivais de música, cultura e arte que acontecem nos municípios vizinhos.

– Sempre dou um descontinho, faço um bom atendimento. Tudo isso faz o cliente voltar. Ele se sente acolhido e nós criamos essa relação de satisfação, qualidade e retorno financeiro – diz a cabeleireira, Fátima Maciel que começou como micro, e hoje já emprega entre o salão e mais dois estabelecimentos comerciais da família, 10 funcionários no total.

De acordo com o relatório realizado pelo Sebrae no primeiro semestre deste ano, que identifica os segmentos de atividade com maior chance de sucesso em 2018, a expectativa é de que até dezembro, o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) chegue a 8,7 milhões no Brasil, e que o total de Pequenos Negócios atinja a marca dos 13,6 milhões de empreendimentos.

Ainda segundo a pesquisa, a importância da figura do MEI neste cenário de crise se deve muito a uma estratégia de sobrevivência principalmente em relação ao resgate da cidadania. Pessoas que perderam seus empregos e passaram a empreender por necessidade, ou até mesmo oriundos da economia informal, passam a ter acesso, por exemplo, à previdência, facilidades crediárias, reconhecimento oficial do negócio, e direito à emissão de nota fiscal.

Para o analista Orientador de Negócios do Sebrae, Jayme Souza Filho, o que difere um sonhador de uma pessoa que tem um comportamento empreendedor é o momento da gestão em que se consiga alinhar o estudo e o idealismo, com a parte prática.
– Onde algumas pessoas vêem problemas, outras vêem oportunidade. O Brasil é campeão no empreendedorismo por necessidade, mas o ideal é que a gente consiga transformar as pessoas em empresários capacitados para identificar uma oportunidade de negócio. O mais importante no nosso trabalho é ter uma linguagem acessível porque quem nos procura também são pessoas que estão preocupadas em sair da informalidade, de forma simplificada e com todas as garantias de direitos – explica o analista.

No Centro da Cidade, outro exemplo de determinação. Uma microempresa familiar que já completou 23 anos dedicados aos moradores locais, e que atualmente emprega três chefes de família. A loja de móveis e decoração: ‘Mobi-lar Móveis’, da empresária, Norma Alves, sofreu algumas turbulências e antes da crise esse número até dobrava.

– A fórmula do sucesso é a inovação. Tentamos sempre manter os nossos clientes com as novidades de produtos que não são oferecidos na região. Entender que os nossos consumidores são pessoas que, por serem do interior, teriam mais dificuldade de acesso a esses produtos é um dos segredos do negócio. E outro diferencial é o nosso atendimento, tentamos facilitar as necessidades porque sabemos quem são os nossos clientes. Então, procuramos sempre ouvir para aprender mais – ressalta Norma.
 

Um lugar exclusivo para quem deseja empreender em Itatiaia

Com o objetivo de facilitar o desenvolvimento das atividades realizadas pelo microempreendedor, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico criou a Sala do Empreendedor, um espaço público voltado para desburocratizar as principais necessidades da categoria.

Segundo o Diretor de Indústria e Comércio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Toledo, a infraestrutura conta com uma máquina de autoatendimento, e também atendimento personalizado de orientação ao MEI na consulta prévia municipal, legalização junto ao portal e baixa de inscrição, emissão do carnê de pagamentos, emissão do certificado, alteração de dados cadastrais, declaração anual e formas de acesso ao microcrédito.

Em caso de dúvidas, os interessados em abrir um novo negócio podem receber orientação gratuita dos servidores na Sala do Empreendedor, que fica dentro da sede da Prefeitura, localizada na Praça Mariana Rocha Leão, nº 20, no Centro. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira, das 08h às 17h. Mais informações também pelo telefone: (24) 3352-6777.

Por Bruno Barreto.
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »